domingo, 27 de outubro de 2013

O desinteressante Outubro.


Percebi, hoje, que Outubro é um mês desinteressante. O que rola em Outubro? Nada. Mês do quê? Do Halloween? Dane-se, não comemoramos isso aqui. Infelizmente, eu diria.  Tá, parcialmente há comemorações. Coisas como Noite do Terror e relacionados. Isso me lembra que na realidade eu já fui a uma festa de Halloween. Tenho várias lembranças dela, a maioria... complicada. Mas como não estou aqui para uma sessão barata de auto-psicologia, vou fingir que não lembrei dessa festa, nem de como nela eu estava mais perdido que estudante em dia de ENEM.

Aaaaah, saudoso ENEM. Ir dormir tarde no dia anterior por causa do nervosismo, acordar cedo no dia seguinte por causa do mesmo motivo. E ainda assim, há alguma pressa, correria, e daí você chega atrasado por três minutos e se sente a pessoa mais imbecil que já ousou profanar a Terra com sua falta de capacidade cerebral.

...

Como assim vocês nunca passaram por isso? Como assim só gente demente se atrasa pro ENEM? Perder um ano inteiro de estudos e de dinheiro de seus pais ajuda a moldar o caráter, lhe digo eu!

Perder duas vezes, por outro lado, nem tanto. Mas são águas passadas. Agora estou na faculdade e dou orgulho aos meus pais mesmo reprovando quatro disciplinas em um só semestre! Quem liga pra reprovação dentro da faculdade? Já está na faculdade, não sai mais, isso que importa. O que importou foi em 2006 quando eu reprovei o 2º ano do Ensino Médio...

...deuses, como minha vida acadêmica é desastrosa. Seria trágico se não fosse engr... ok, é somente trágico mesmo. Tá num nível que dava pra contratar o Sr. Omar pra narrá-la.

Mas o segundo período começou – não chamo de segundo semestre porque começou no fim de Outubro – e com ele vieram os alunos novatos. Gente nova sempre mexe um pouco com os alicerces da já constituída-ao-longo-de-quatro-meses rotina social. Principalmente nesse caso em especial porque, aparentemente, esta nova safra de senhoritas e senhoritos veio consideravelmente mais bonita. É o que tenho ouvido. Estávamos a conversar eu, um amigo e uma amiga, e esta, com toda a ausência de tato possível, comentou que os alunos novatos de Geologia – curso a qual pertenço, e os amigos aqui citados também – eram muito mais “apresentáveis” que os que adentraram a faculdade com ela, ou seja, eu e o amigo que nos acompanhava. Ora pois, muito obrigado pela parte que me toca! Lembrarei de suas palavras quando um dia chegar à minha porta pedindo um copo d’água que seja, o qual negarei e gritarei a plenos pulmões demonstrando toda minha imaturidade latente: VAI LÁ PEDIR PROS NOVATOS GATINHOS, VAI.

Ou vão me dizer que vocês nunca usaram esse tipo de resposta? Todos usam. Todas as mulheres usam, com certeza. “Vai lá com tua amiguinha então”. E a vontade que dá é responder “ok, champs, falous”, mas evitamos porque não queremos morrer sozinhos e solitários.

Mas eu divago.

Como dizia, os novatos de Geologia chamaram a atenção. Além do caso já citado, no elevador, certa vez, vi um grupo de veteranos do curso comentarem como as garotas novatas eram bonitas, e o assunto surgiu entre eles porque logo antes de todos adentrarmos no elevador, o mesmo expulsou um grupo de novatas; um grupo particularmente dotado de grande beleza, eu adicionaria.


Existem fatores engraçados que mexem com o relacionamento de grupos escolares. Desde que entrei no Ensino Médio que a maior parte de meus anos como estudante se deu como membro de grupos de meninas, sendo eu o único homem. É um convívio interessante e uma experiência antropológica. A competição é tão extrema e visível que chega a assustar. Num grupo misto, a competição está mais diluída, e menos propensa a alcançar um extremo, mas existe.

E é isso que eu faço quando vou para aula, fico observando como as pessoas agem, ao invés de estudar. Por isso que eu reprovo quatro disciplinas por semestre e faço meu pai pensar que deveria ter parado no primeiro filho e comprado um carro e uma casa.

Desculpa aí, velho. Juro que termino a faculdade em no máximo treze anos, já que o recorde atual é de catorze. Sim, catorze. E você que estava aí pensando que eu era o ser mais academicamente detestável deste lado do país.


Bem, Outubro logo mais acaba, e este texto também. Notei que neste eu me dirigi aos leitores muito mais vezes que o normal. Estaria eu mudando meu estilo? Estaria eu carente? Estaria eu morrendo? Bem, em um texto anterior eu mencionei a questão de morrer aos 22. Não morri. Meus 23 estão quase aí, vai ver a hora chegou.

Mas caso não tenha chegado, eu devo voltar aqui em breve pra postar mais idiotices sobre o Natal, o fim de ano ou as novatas gatinhas e o quão desastrosas para o equilíbrio social pré-estabelecido suas presenças se tornaram.

...

Começo a temer a ideia de divulgar este texto.