Ah, 2012... Com seu anúncio de fim de mundo e seu andar apressado, como em fuga. Como podem seis meses passarem tão vagarosamente se os seis seguintes correm como Hermes, eu nunca saberei. Mas aqui estamos, ao fim de mais um longo ano.
O fim do mundo não veio, para alegria de muitos e tristeza de outros. Há aqueles que acreditam e viajam para longe do litoral; há aqueles que não acreditam, é impossível, improvável. E no fundo, todos que receberam a carga de informações, piadas e teorias sobre o tal apocalipse, não acordaram no dia 21 da mesma forma que acordam todos os outros dias do ano. Eu particularmente o esperei. Não sei se o desejei ou não, não sei se o acreditei ou não, mas definitivamente o esperei. Muitos destilaram seu drama usual sobre o quão ruim foi seu ano, por motivos como... sei lá, seu time caiu, seu bolo solou, seu namorado a chamou de gorda ou sua namorada lhe disse "que pinto pequeno, meu filho". Outros somente não enxergam nada à frente pelo que lutar e não se importam se tudo segue ou se tudo pára. Alguns simplesmente tem medo de seguir.
Meu ano não foi espetacularmente bom ou ruim. Foi o de sempre, que já estou acostumado. Entretanto, por motivos que desconheço, existiram situações que me fizeram agir diferente do comum.
Voltando para casa, no ônibus, em um dia ordinário como todo outro, notei um rosto conhecido. Um alguém com quem havia estudado inglês. Seguindo-lhe, uma linda garota. Sorri. Não sei de fato porque, mas sorri em vê-los, felizes, um casal. Fico feliz que eles não tenham me notado, ou eu seria um estranho qualquer sorrindo de modo bizarro para dois desconhecidos.
E o sorriso, analiso depois, foi por alguma espécie de felicidade em ver um companheiro de armas bem abastado. Ao tempo que o conheci, era um mero qualquer, sem apelo algum. Agora, alto, forte, ainda espinhento e feio. E a garota era linda, alta, esbelta. Chuto que teria uns 17 - pois ele mesmo não deveria ter mais que isso - mas que nada de infante tinha, com aquele ar maduro, de mulher, bem o tipo de garota que eu nunca.
E aí que estava a fonte do meu sorriso. Não a beleza da garota, e sim na conquista dele. Pode soar imbecil - e é; mas eu, como desertor desta batalha já há tanto, sinto-me bem em ver que alguns seguem em frente e alcançam a vitória. Se lembro bem, ele sempre foi inteligente, a esta altura deve trabalhar, esculpiu seu corpo um tanto e se tornou alguém pronto para lutar a batalha de verdade. Ok, um pouco de inveja também, é o que passou por mim. "Eu vou me candidatar a presidente e, se for eleito, vou mandar prender todos os homens que são populares com as garotas!" Apoiado! Palavras do sábio Matsuri Ichimatsu.
Esse negócio de trabalhar o corpo é complicado. Enquanto escrevo, como meu chocolate na madrugada. Oh, isso não vai ser bom. Saúde é minha esposa, junk food minha amante. Não ando dando muita atenção ao matrimônio...
E então todos correm para aprimorar seu corpo e estar em dia com a saúde! Saúde? Besteira. Todos nós visamos é um corpinho sociável para o verão e para o sexo oposto. Já via sexo em tudo, o Freud. E eu acrescento que quem discorda disso é assexuado ou se faz de besta!
Pois bem, qualquer dia desses me meto nisso também. Mas não é para conseguir mulheres, não, não. É para ter saúde...
E cá estou eu, já enrolando em tantas besteiras. Mas é assim que 2012 foi, um aglomerado de situações aleatórias, onde eu esqueço a maioria e lembro das inúteis. Devo ser de alguma espécie de pessoa estranha, vai saber... Mas ei, eu estava falando de saúde, e lembro que dia desses um membro do meu panteão de dentes decidiu rebelar-se. Oh, a dor! Já disse o tio de alguém "eu só tenho medo de duas coisas: barata e mulher maluca"; pois o mesmo é válido para mim, se me permitirem um acréscimo. Eu só tenho medo de três coisas: barata, mulher maluca e dentistas! Então esse rapazote vai continuar doendo por mais um mês até que eu me livre das responsabilidades atuais e tome a coragem. E nem quero começar a falar de mulher maluca, pois meu ano delas foi cheio. Baratas, por outro lado, estão me devendo uma visita. Que não cobrarei, por sinal.
E meu ano foi tão enxuto que já cheguei em dezembro, neste relato. Na verdade acho que o relato já se iniciou ali por agosto ou setembro... De qualquer forma, a única situação que indicou qualquer tipo de mudança em mim foi uma da terça passada, na data... deixa eu checar aqui... ah sim, dezoito de dezembro!
Bem, o que eu posso dizer? Sou tímido. Inseguro, até. Socialmente, um desastre. Então não sei que forças preencheram meu corpo para me fazer tão simplesmente caminhar até aquela garota bonita e interessante do curso e puxar assunto, no meio da rua, no ponto do ônibus. Talvez tenha sido efeito das depressões mais recentes querendo me fazer mudar, talvez tenha sido o apocalipse se aproximando e me dando uma última chance antes do fim; talvez houvesse uma fila de baratas na calçada ao lado torcendo por seu arqui-inimigo agir e fazer de si mesmo um imbecil. Pois bem, engulam essa, blatta! Eu consegui, me movi, fui e conquistei a incrível vitória de... conhecer alguém. Ah vá, pra mim isso é muito.
Enfim, agora o natal está quase aí, e eu gosto desta data sei lá porque. Estou bem munido de meu gorro de noel e minhas esperanças vazias. Tudo que eu posso escrever para concluir esse texto irritantemente longo e um tanto quanto pessoal e inútil é desejar alguma coisa de boa para quem teve a paciência de lê-lo:
Um bom natal, saúde e prospCAR%$#%LHO QUE DOR DE DENTE FILHA DA P¨%TA!
Cara, já disse que sou seu fã?
ResponderExcluirSenti muita alegria lendo isso pois a muito a gente não se fala devidamente e eu realmente sinto falta desse amigo que nunca nem vi. Sempre te achei eras mais maduro do que eu, mesmo sendo mais novo, mas ao ler eu senti um amadurecimento ainda maior. Nada pelas conquistas que relatou, nem pelos sentimentos, mas por algo intangível que está no seu texto e encheu meu peito de orgulho. Vai saber, né?
Espero que 2013 seja um ano muito melhor para você (todos nós, na verdade),em todos os sentidos. E continua escrevendo pois, como disse um dia, eu vou publicar seu primeiro livro, rs!