quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Destitulado, mas se quiser pode chamar de "A sina de um homem".

Já gastei o tempo de muita gente com meus textos inspirados em situações aleatórias do meu dia, de vez em quando arriscando adentrar em assuntos menos cotidianos e ainda mais imbecis.

De uma forma ou de outra, grande amigo meu teve vontade, recentemente, de escrever sobre um dia seu. Dias marcam de formas diferenciadas, e às vezes o mais feliz dos dias é só mais um, e aquele comum e esquecível se torna, então, não tão esquecível assim.

E, como sempre, estou a protelar.

Como gosto de incentivar a escrita nos outros, e este meu amigo não possui um espaço específico para divulgar seu diário de um dia comum, decidi oferecer meu blog. E aqui está, um texto sobre um dia comum, de um homem comum, passando por situações comuns.


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E essa é uma história de um homem e sua sina.

Era um dia normal na vida do cidadão. O mesmo dia que ele havia tido várias vezes ao longo daquele ano diferente pra ele. E o ano estava sendo diferente sob todos os aspectos. Mas uma coisa ainda continua a mesma: a sua maldita sina.

Num dia quente de novembro, nosso herói (se é que pode-se dizer isso a respeito de nosso intrépido), acordou como sempre acorda. De folga do serviço, como tem feito ultimamente, quase como uma novidade assustadora em sua vida, ainda de pijamas, levantou, seguiu ao banheiro, deu uma senhora mijada, balançou seu instrumento, e o guardou para dentro do shorts. Lavou suas mãos e seu rosto, e com uma cara passada, abriu as janelas de sua casa. Afinal, ele precisava de ar fresco. E sua casa precisava de sol. De pijamas, tomou um senhor café da manhã assistindo TV, do jeito que a nutricionista e o médico lhe indicaram. Cereal com granola, iogurte, uma banana, um pão com requeijão e um copo de suco.

 Aproveitando o dia de folga, decidiu fazer uma faxina em sua casa. E fez uma extensa faxina em seu quarto, passou pano no chão, tirou o pó dos móveis. Quarto limpo, era hora de malhar o corpo, em seu projeto de deixar de ser o que ele era. Ok, nosso herói mais pra frente notará que ainda falta muita coisa a mudar.

Desenvolvimento de ombros, tríceps no colchão, remada baixa, 4 séries de 60 abdominais em cada músculo. Nomes estranhos, mas eles fazem parte da vida no nosso herói, coisa que ele nunca imaginava. Não houve movimento na academia. Frequentá-la no início da tarde te dá a sorte de pegar os aparelhos livres só e somente para você.

Treino feito, 15:35 da tarde, e a pergunta: o que fazer? Descansar e esquecer da vida? Ir ao cinema assistir Capitão Phillips e chegar em casa pra lá das 10 da noite? O calor era um impedimento. E nosso herói o odeia com toda a força de seu ser. E ainda precisava limpar o quintal de seu cachorro, precisava almoçar, tomar um banho, fazer a barba.

Como num flash, ele, resignado, decidiu ir ao cinema. Tomou seu suplemento, comeu seu almoço altamente calórico, brincou com o vira lata enquanto limpava o quintal. O melhor investimento com a melhor taxa de retorno existente: atirar a bolinha para o cachorro.

E, ah aquele banho gelado que lavaria a alma do mais impuro do mortais. Ducha na posição "Verão" e registro aberto no último. A água gélida ajudava a refrescar nosso herói no calor.

Banho tomado, dentes escovados, barba sem fazer (pra dar um charme), perfume e cabelo arrumado, parte nosso herói rumo ao cinema. Ônibus no horário, fones de ouvido tocando de John Mayer até Led Zepplin. Nada muito novo. No cinema, pra evitar a fila, comprou o bilhete pra assistir ao filme num guichê de atendimento eletrônico. Correu para a sala, uma vez que já estava quase no horário, sentou-se, e aproveitou o filme.

Nosso herói tinha mais uma coisa a fazer, pagar uma simples conta. Mas o cansaço falou mais alto. Ele decidiu deixar para outro dia, até porque, ele ainda tinha alguns dias para poder acertar essa pendenga.

Correu para o ponto e pegou o primeiro ônibus. Não era o ônibus para a sua casa, mas o levaria para um local aonde passavam mais oportunidades. Logo quando ele entrou no primeiro ônibus, viu o ônibus que o levaria direto para sua casa. Decidiu ficar neste até o próximo ponto. Desceu e aguardou.

Só que mal ele sabia que ali estava uma oportunidade. Oportunidade esta, que como sempre, ele não aproveitaria. Ele, e um monte de amigos que provavelmente vão entender o que ele está contando.

Era uma menina. Calça jeans, sandalinha, pele clara, óculos e uma blusinha verde, rosto de traços finos porém fortes. Ela fazia muito mais o tipo "Mãe dos seus filhos" do que "Vem cá e faça amor por uma noite". Tudo que o nosso herói mais desejava encontrar na vida dele.

Logo quando nosso herói chegou no ponto, eles trocaram um olhar. Até aí, tudo bem. Quando seu ônibus chegou, nosso herói ficou na fila pra adentrar. Ela entrou antes, umas 4 pessoas antes. E nosso herói torceu para que ninguém se senta-se ao lado dela. Mesmo o ônibus estando um pouco lotado, ninguém sentou. E lá se foi nosso herói e se sentou ao lado dela. Se sentou, cruzou as pernas like a boss e colocou seus fones de ouvido, para acompanhá-la, já que ela também estava ouvindo.

O que se seguiu a partir desse ponto foi uma série de flertes. Um olhava o outro de canto de olho, e o outro respondia de mesma forma. Um, batia os dedos nas pernas no ritmo da música que ouvia, o outro, fazia o mesmo. Ele, não parava de olhar as mãos dela. Lindas, delicadas, com unhas bem cuidadas, uma pele, visivelmente sem defeitos.

Até que chegou o momento. Nosso herói, ali, foi provado, mas não falhou em sua missão. Falhou miseravelmente.

Num certo ponto do caminho, nosso herói, de canto de olho, notou que ela estava observando-o. Ele, então, ao invés apenas dar uma olhada de canto de olho, virou o pescoço, e a olhou nos olhos. Ela, olhava-o, com um pequeno sorriso no rosto. Só que... nosso herói ainda não havia mudado e melhorado o suficiente para fazer o que realmente devia ser feito. Ele, olhou para o outro lado, um pouco gelado, um pouco nervoso. Sentia que ali, havia uma chance, uma oportunidade. Mas ele estava desperdiçando. Não sabia o que fazer, como proceder, e tudo que ele imaginava, na cabeça dele, o levava ao fracasso.

Restou então, sentir-se uma idiota. Alguns minutos depois, a menina levantou-se, deu sinal, e, esperou na porta, para descer. Ela deu uma última olhada de canto de olho, e desceu. E lá se foi nosso herói, sozinho de novo, fracassado, e sem entender como mudar isso.

Não há fórmula mágica. Não há remédio mágico. Não há pilula azul ou pilula vermelha. Então, o que há? Com o nosso herói, com um monte de seus amigos, o que há? Fica a pergunta.

 

PS.: Assistam Capitão Phillips, é o melhor filme do ano, na minha opinião.

Lugar-comum (ou "o professor faltou então não perdi nenhum minuto").

Ele não parece ser nenhum tipo de perdedor; é alto e de bom físico, ainda  que não seja forte. Ela, apesar de eu não  conseguir averiguar a beleza por culpa da distância, não surpreende à primeira vista, pois possui o corpo pouco escultural. O que faria então, ele com ela?

Destilo aqui um preconceito nato, desenvolvido ao longo dos anos, e que nem de longe ousa penetrar a primeira das camadas do que de fato define as relações humanas, ainda mais em se tratando das amorosas, sempre tão complexas, para não citar que desnecessariamente. E o que define, exatamente, o amar? Qual o preço a se pagar para ter alguém, e ter que esse alguém também lhe queira? Existem sempre os processos naturais; conhece-se um indivíduo e logo cria-se a amizade. Em alguns casos ela já vem pronta, à primeira vista, à primeira piada, ao primeiro abraço. E é o mesmo para o amor. Ou a paixão. Há quem diga que qualquer sentimento prematuro é paixão, e amor se desenvolve em conjunto, com o tempo; há quem fale do amor à primeira vista , que não há necessidade de tempo ou prévio conhecimento; afinal, há amores de todos os tipos, como de parentes em geral e amigos, e quem pode decidir por todo mundo que não foram estes de imediato?

Na verdade, não conheço ninguém que tenha mencionado essas anteriores análises, são só coisas que estão passando pela minha cabeça enquanto escrevo. Mas sabe como é, precisa-se dar um charme na escrita. O fato é, as pessoas tem medo das palavras. Dessas então, em especial. Por falta de capacidade de entender inicialmente os sentimentos alheios, assustam-se com o pronunciar de títulos e classificações para os abstratos. Mas são somente termos. Formas fracas e vazias  de se tentar explicar algo sem norma e descrição. Não há porque temê-las; antes deve-se entendê-las como um termo geral, indicando um sentimento ou conjunto de sentimentos geral: o de se importar e querer se fazer presente o máximo possível.

E agora eu pareço já, certamente, um tolo ultrapassado de eras ultrapassadas, observando o espelho d'água agitar-se sob o peso das gotas, ouvindo o ritmado som de seu rebuliço, e  tagarelando sobre o amor como o faria um infante. Vim aqui para ler, acabei escrevendo. E acabei expulso. Pela chuva. Não a culpo pois, de fato, a adoro. E sobreviveria e permaneceria sob seu derramar não fossem estas folhas em que escrevo tão frágeis; não fosse a tinta desta surrada caneta tão diluível, solúvel, escorrível pelo caminho aquático deixado pelas gotas. A cada avião que cruza o espaço aéreo longínquo, o desejo de que ele ceda da tal força mágica que o flutua; não por crueldade, e sim por necessidade de assistir um algo novo, um espectáculo inédito, de fogo. Para me tornar menos vil - se preferir - admita que nesta minha fantasia do desespero todos os tripulantes saiam miraculosamente vivos. No máximo, tomaram o maior susto de suas vidas, e medo não faz mal algum, constrói o caráter. Medo das palavras, entretanto, é um tanto mais perigoso...

Mas é melhor você parar de ler por aqui antes que eu retorne aos meus discursos desprovidos de razão e experiência sobre os sentimentos humanos.

E é melhor eu parar de escrever por aqui antes que eu perca mais algum minuto de aula.