Foi o toque dos dedos teus, quentes, mas inexpressivos. Infelizmente, sempre infelizmente. O que se contorcia ao redor não me importava, não me atingia, eu sequer enxergava. Foi o sorriso, foi o abraço, foi o presente. Foi o passado e o presente, e o futuro ainda incerto mas aparentemente já escrito.
Um ponto que não magoou, somente feriu. Sarou. Mas aquele ponto vai ficar, como mancha na história da vida que ainda há muito de seguir, sem ansiedade alguma que possa apressá-la. Tudo no tempo certo, mas no tempo que eu não quero e que nem quero esperar que chegue. Querer que seja agora não é pecado e nem é falha, é somente intensidade.
Pena é, que a força do desejo não impele nada à frente; não quando o desejo é de consumir carne e coração, sem que o outro deseje o teu mesmo. Sem que conserte-se antes a dúvida do que se quer. Que conserte-se antes os atos que contradizem as palavras.
Ouvi o conto de um tolo, dizia ele que o tempo cura. O amigo tempo só cicatriza. A cura vem presa ao cinto da conclusão, que é sábia e tudo compreende.
Todos os quases da vida precisam de uma direção para terminarem. Todos os nãos só precisam de uma coisa: explicação.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Aba pora ú: porque somente os poetas e músicos podem falar de amor?
Eu me perdi em meio a tempestade que assola o continente. A revolta no clima social me jogou para lá e para cá, sem perdão. Trezentos e tantos motivos, mas dormi sobre alguns deles.
Mesmo dos acordados permanecerem somente os filhos de maio adiante, e os mais ancestrais estão a um canto, de castigo, na memória, como música velha que não se lembra o cantor. Ocorreu, então, mudança tão grande em mim? Expressiva assim, a ponto de abandonar-se o passado recente, inútil e vergonhoso? De algumas poucas vitórias, sim, mas insatisfatório em um todo, e portanto deixado de lado? Moldaram-me estas novas sombras em algo irreconhecível?
Atento que resta ainda a Somnus duas mil e tantas tentativas de me capturar, enquanto acompanho os tais novos artesãos de minha vida. Mais, talvez, porque o futuro é incerto. Menos, talvez, porque o amanhã é cruel. A incerteza que é a beleza da coisa, dizem.
Enquanto isso as juntas trabalham incansavelmente, pro produtivo e pro inútil. Existe a necessidade de relatar, mas porquê? Haveria uma libertação real nos caracteres se é acompanhada do terror de ser completamente verdadeiro? A mão dói e falha, a mente então suspira a falta em não ter se acabado por contar estórias e sim por ser espectador das histórias alheias. A culpa foi do terror, eu creio. A culpa foi dos outros, a boca afirma.
É engraçado - bizarro, duvidoso, egoísta, preconceituoso, fútil, mascarado, irritante, invejável, desejável, apetecível - que somente os poetas e os poetas possam falar de amor. Talvez seja esse o problema.
Ter sido pisado por tantos homo sapiens sapiens, por falta pessoal, torna o ser incompreensível até quando se abre para os outros. Ser engolido por tantos homens competitivos torna a comunicação textual algo de si para si mesmo, ilegível aos transeuntes, e inútil por extensão. O exemplo é este mesmo.
Mas ao fim de tudo - me adianto - o saldo é positivo, ainda que precise se esforçar para brilhar mais intensamente que seu gêmeo maligno. Não há descanso para os fracos, mas não poderia confirmar isto pois sou forte. Descobri-me forte. Acho. A dúvida é uma fraqueza por si só, possivelmente. Existem uns cinco motivos restantes, talvez eu encontre a resposta neles.
Mesmo dos acordados permanecerem somente os filhos de maio adiante, e os mais ancestrais estão a um canto, de castigo, na memória, como música velha que não se lembra o cantor. Ocorreu, então, mudança tão grande em mim? Expressiva assim, a ponto de abandonar-se o passado recente, inútil e vergonhoso? De algumas poucas vitórias, sim, mas insatisfatório em um todo, e portanto deixado de lado? Moldaram-me estas novas sombras em algo irreconhecível?
Atento que resta ainda a Somnus duas mil e tantas tentativas de me capturar, enquanto acompanho os tais novos artesãos de minha vida. Mais, talvez, porque o futuro é incerto. Menos, talvez, porque o amanhã é cruel. A incerteza que é a beleza da coisa, dizem.
Enquanto isso as juntas trabalham incansavelmente, pro produtivo e pro inútil. Existe a necessidade de relatar, mas porquê? Haveria uma libertação real nos caracteres se é acompanhada do terror de ser completamente verdadeiro? A mão dói e falha, a mente então suspira a falta em não ter se acabado por contar estórias e sim por ser espectador das histórias alheias. A culpa foi do terror, eu creio. A culpa foi dos outros, a boca afirma.
É engraçado - bizarro, duvidoso, egoísta, preconceituoso, fútil, mascarado, irritante, invejável, desejável, apetecível - que somente os poetas e os poetas possam falar de amor. Talvez seja esse o problema.
Ter sido pisado por tantos homo sapiens sapiens, por falta pessoal, torna o ser incompreensível até quando se abre para os outros. Ser engolido por tantos homens competitivos torna a comunicação textual algo de si para si mesmo, ilegível aos transeuntes, e inútil por extensão. O exemplo é este mesmo.
Mas ao fim de tudo - me adianto - o saldo é positivo, ainda que precise se esforçar para brilhar mais intensamente que seu gêmeo maligno. Não há descanso para os fracos, mas não poderia confirmar isto pois sou forte. Descobri-me forte. Acho. A dúvida é uma fraqueza por si só, possivelmente. Existem uns cinco motivos restantes, talvez eu encontre a resposta neles.
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