quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Aba pora ú: porque somente os poetas e músicos podem falar de amor?

Eu me perdi em meio a tempestade que assola o continente. A revolta no clima social me jogou para lá e para cá, sem perdão. Trezentos e tantos motivos, mas dormi sobre alguns deles.

Mesmo dos acordados permanecerem somente os filhos de maio adiante, e os mais ancestrais estão a um canto, de castigo, na memória, como música velha que não se lembra o cantor. Ocorreu, então, mudança tão grande em mim? Expressiva assim, a ponto de abandonar-se o passado recente, inútil e vergonhoso? De algumas poucas vitórias, sim, mas insatisfatório em um todo, e portanto deixado de lado? Moldaram-me estas novas sombras em algo irreconhecível?

Atento que resta ainda a Somnus duas mil e tantas tentativas de me capturar, enquanto acompanho os tais novos artesãos de minha vida. Mais, talvez, porque o futuro é incerto. Menos, talvez, porque o amanhã é cruel. A incerteza que é a beleza da coisa, dizem.

Enquanto isso as juntas trabalham incansavelmente, pro produtivo e pro inútil. Existe a necessidade de relatar, mas porquê? Haveria uma libertação real nos caracteres se é acompanhada do terror de ser completamente verdadeiro? A mão dói e falha, a mente então suspira a falta em não ter se acabado por contar estórias e sim por ser espectador das histórias alheias. A culpa foi do terror, eu creio. A culpa foi dos outros, a boca afirma.

É engraçado - bizarro, duvidoso, egoísta, preconceituoso, fútil, mascarado, irritante, invejável, desejável, apetecível - que somente os poetas e os poetas possam falar de amor. Talvez seja esse o problema.

Ter sido pisado por tantos homo sapiens sapiens, por falta pessoal, torna o ser incompreensível até quando se abre para os outros. Ser engolido por tantos homens competitivos torna a comunicação textual algo de si para si mesmo, ilegível aos transeuntes, e inútil por extensão. O exemplo é este mesmo.

Mas ao fim de tudo - me adianto - o saldo é positivo, ainda que precise se esforçar para brilhar mais intensamente que seu gêmeo maligno. Não há descanso para os fracos, mas não poderia confirmar isto pois sou forte. Descobri-me forte. Acho. A dúvida é uma fraqueza por si só, possivelmente. Existem uns cinco motivos restantes, talvez eu encontre a resposta neles.




Um comentário:

  1. Esse, tal qual Evangelion às avessas, eu não tava entendendo nada, mas o último parágrafo fez todo sentido do mundo. Excelente, meu amigo! Excelente!

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