O carro avançava a oitenta quilômetros por hora pela rodovia vazia. Dentro do carro, o motorista já cansado tinha um olhar pesado. Vez ou outra ele desviava a atenção para a mulher ao seu lado, que olhava fantasmagoricamente para fora da janela, admirando talvez as relvas e morros lá fora. Haviam se passado algumas horas sem que nenhuma palavra fosse dita e o motorista irritava-se com o modo de agir da mulher desde alguns dias atrás. Tornara-se distante e incompreensiva. Brigavam por qualquer motivo e nunca faziam as pazes. Foi aí que se decidiram pela viagem. Mas desde o começo da mesma e até o presente momento quase não trocaram palavras. Minutos antes estavam na praia e ela também não havia dirigido uma palavra sequer a ele. E este, dirigindo o carro, estava com o sangue fervendo de raiva. Para sermos justos, ele tinha estado assim desde o começo das brigas sem motivo, há um mês, e se irritava com tal facilidade animalesca. O relacionamento deles parecia, afinal, estar chegando ao fim.
Anoiteceu rapidamente sob o céu coberto de nuvens escuras. Não fazia sol, não chovia. O clima dentro do carro era mais frio que lá fora. A tensão só fazia aumentar a cada segundo, e o homem poderia jurar que enlouqueceria com essa situação em breve e não garantiria seu juízo perfeito. O silêncio ensurdecedor era algo terrível de se presenciar.
Chegaram ao seu destino pouco mais tarde. A casinha era simples e aconchegante. Ele sentia-se agora mais feliz e animado. As coisas tinham melhorado pelo que parecia. A sanidade ainda não havia deixado sua mente e a felicidade havia preenchido-a. Deitou-a no sofá e a despiu. Ele estava feliz; tudo parecia estar perfeito agora, sem discussões ou reclamações, e poderia enfim desfrutar de sua amada. Ao terminar de despi-la se deteve em beijá-la delicadamente em cada parte do corpo, tenramente apaixonado e hipnotizado por ela, e preso a apreciá-la durante longos minutos.
O exame era minucioso, como se estivesse a admirar gemas preciosas ao invés de um ser humano. Centímetro por centímetro, metro por metro. Ele se mantinha vislumbrado por aquele corpo, aquele perfume, aquele sabor. Tudo que vinha do corpo dela o excitava. Ele a tocava e acariciava. Cheirava e beijava. Parando para examinar a linda cor que a pele dela possuía a cada beijo. E assim continuou, repetindo o processo, a cada vez que fatiava mais um pedaço do corpo da amada, tendo já esquecido o porquê, antes de jogá-los a um canto, onde um forno a lenha preparava o jantar.
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