terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tentativa de se matar

Tentei me matar, certa vez. Convenci a mim mesmo que era um inútil. Disse-me ser patético e indesejado. Cultivei minhas próprias depressões e joguei a culpa nos mais próximos, em alguns desconhecidos e no destino. Este último, por sua vez, não fez questão de se mostrar benevolente: atacou-me com tudo que tinha, esfregando em minha face uma verdade que eu não quis aceitar. Persisti no erro e disse persistir meramente por ser inevitável. O destino, novamente injuriado, atuou como é de seu costume e me fez rever aquela verdade. Não aceitei. E foi me repetindo desse modo, que fui me matando, aos poucos, interiormente. A parte mais chata de se degradar no interior é que isto afeta o exterior. Não há como fugir disso.

Então eu sentei e escrevi. Oh, que alívio! Comprimir todos os problemas, anseios e angústias em uma porção de palavras e transfigurá-las em fantasias diversas. Viajei entre anjos e monstros, vampiros e dragões, heróis e Vilões e Deuses e...


As palavras, escritas, após certo tempo, começaram a não fazer mais sentido. Eram a fuga. Mas de que adianta somente fugir? Não vou morrer aos 22 (ao menos espero que não) para que eu pudesse simplesmente me esconder por uns cinco anos entre os textos e fingir que aquilo era meu amadurecimento. Estou aos 21, veja bem, e ainda não morri.

Então eu sentei e escrevi. Oh, que alívio! (mais uma vez). Dessa vez, juntei os problemas e os expus em letras, estilo próprio e divulgação (procurando por aceitação). Se antes o fiz para me iniciar, introduzindo-me; dessa vez fiz para continuar, desenvolvendo-me – mesmo que eu acreditasse, por um tempo, que já estava na conclusão e não precisaria ir além daquilo que alcançara.


Algumas coisas mudam, veja você. Desta terceira vez, deixei o destino descansar. Não lhe atribui falsas culpas. Joguei-as todas em mim, como deveria ser. Dessa vez não fugi. Mas não avancei nem enfrentei. Fiz-me estátua e esperei ser atingido. E fui atingido, algumas diversas vezes, pelo bom e pelo ruim. Não absorvi nenhum dos dois e me mantive estátua. Considero então que fiquei pior que antes, pois agora era mero objeto do destino (e dessa vez sem me referir a Ele), sem vontade, sem ação, deixando a vida passar.

Então eu sentei – agora –, e escrevi – este texto. Oh!; somente Oh!. O alívio não veio, e não veio porque não se fez necessário. Dessa vez, afinal, escrevi sem me valer de fantasias míticas ou místicas; expus-me sem procurar aceitação. Escrevi, então, por escrever. Escrevi de alma e coração (e um pouco de cérebro, porque esse meu não pára nem quando quero). Escrevi porque amadureci, talvez. Talvez tenha escrito, tão verdadeiramente, por ter alcançado algo de epifania pessoal.


E ao terminar este texto, com tanto de estilo próprio, amadurecimento, auto-aceitação; por estar aos 21 e não ter morrido; e por talvez ter alcançado, afinal, a conclusão, irei dormir torcendo para que, amanhã, eu não regrida nem um pouco, e viva mais do que vivi até hoje. Pois mesmo que eu não tente mais me matar, aos poucos por dentro, o Destino (seja ele Ele ou seja ele um conjunto de meras probabilidades manipuladas pelo caos) talvez queira, de fato, me matar aos 22.

2 comentários:

  1. Ah, na época que fiz o blog adicionei só os de compartilhamento e esqueci o de curtir. Adicionei-o agora, obrigado por avisar!

    E agradeço também o interesse em curtir/divulgar o blog. Volte sempre!

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